“Eu queria te contar que agora não dói mais. Só que agora não importa tanto o que você vai pensar sobre isso. Queria que você soubesse que já vi nossos filmes milhares de vezes e nem chorei. Ok, chorei. Mas pelo filme, e não por você.Queria que você soubesse que tirei a poeira das nossas músicas, e que as ouço quase todos os dias. Porque elas me faziam mais falta do que você fez. Os nossos lugares não são mais nossos. Eu já voltei lá com outras pessoas, e escrevi lá outras histórias…Eu estou aprendendo a tocar violão. E a primeira música que toquei foi aquela música que era uma espécie de hino pra nós dois. Ela é tão linda…e sim, ela continua sendo muito nossa e lembrando demais você. Mas ainda sim, não dói.
Você não pergunta essas coisas, mas sei que gostaria de saber. Porque te conheço. E isso não mudou. Do mesmo jeito que adivinhei as coisas ruins que você aprontaria, eu sei as coisas boas que ficaram aí em você e te fazem lembrar de mim. Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.
“Ontem, por incrível que pareça, todos os lugares que pisei eu te procurei. Fiquei feliz em poder sentir tua falta - a falta mostra o quão necessitamos de algo ou alguém. É assim o nosso ciclo. Eu te preciso. Perto, longe, tanto faz. Me faz bem pensar nessas atividades corriqueiras, que supostamente você está fazendo. Ah, e eu estou te esperando, com meu coração pulsando forte, e quero te abraçar até sentir o mundo girar apenas para nós. É, eu gosto muito de ti.
“Mas ficou tudo fora de lugar. Café sem açúcar, dança sem par.
“- Te amo.
- Preguiça…
- De que?
- De acreditar.
“Eu fui dormir, pensando em você.
E eu acordei, do mesmo jeito.
“Ruas lotadas.
Cabeças vazias.
Corações partidos.
“Eu sou como um pássaro, meu amor. Não gosto de sentir-me presa as pessoas, não gosto de ser trancada em uma gaiola, mesmo que seja uma feita de amor. Sinto-me sufocada diante de qualquer elemento que possa tirar-me a vontade de voar. Se me queres contigo, imploro, voe comigo. Não me deixe presa, não me coloque limites. Eu sempre vou querer ultrapassar-los. Não deixe-me trancafiada. Eu sempre irei fugir. Se me queres contigo, junte-se a mim, mas não me peça para permanecer no chão. Eu não nasci para ficar parada.
“Só porque você se mostra forte não significa que você também não tenha fraquezas.
“Berra, grita, escreve, manda uma carta, um sms, um pombo correio, liga, compõe uma música, chama no msn, curte uma foto no facebook, manda uma ask, taca um tijolo na porta da minha casa, me manda uma flor, toca um Marley na viola, põe nossa música pra tocar, faz sinal de fumaça, esperneia, comenta de mim pra alguém, taca uma indireta direta, taca fogo no meu carro, me faz ciúmes, faz birra, charminho, some, volta, me atiça […] Sei lá, só não fica em silêncio. Pois apesar de eu preferir todo o silêncio do mundo, o seu me mata.